O popular costume entre muitos é a infame prática do capitalismo sexual, que envolve o termo, nu e cru, “preciso estar no lucro”, e, para isso, há uma pequena concorrência entre garotos e garotas envolvendo números de conquista na boate.
Sem entrar em questões machistas, como a ridícula noção de glória para os garotos ao ficar com 5 garotas em uma única noite e a fama da garota que fica com 5 garotos de promiscua e puta, o que tem acontecido é a generalização da libertinagem. Libertinagem é diferente de promiscuidade. Uma pessoa libertina não é necessariamente aquele tipo que corre atrás de tudo que se move, diferente da promiscua, que não consegue controlar os órgãos sexuais ou a boca, mas até aí, cada um cada um. Libertinagem é também liberdade de escolha, mas envolve, ao meu ver, noção.
Lembro no colégio que, certa vez, conversava com duas colegas minhas sobre a balada da noite anterior. Antes de sair do armário, não me interessava muito em baladas, sendo que fui uma ou duas vezes, sem grande sucesso. Hoje a história é outra, mas não vem ao caso. Chamaremos a garota 1 de Uma e a garota dois de Thurman, para evitar complicações.
Uma e Thurman me viram nessa balada e, como não era normal eu ir para esse tipo de lugar, decidiram comentar comigo (não me perguntem o porquê) sobre suas conquistas amorosas. Uma, que era até bonitinha, contou que havia encontrado um ficante durante a noite e que, em determinado momento, decidiu “ir ao banheiro” para sair a caça nesse meio tempo. Acabou ficando com outro no caminho, riu, despistou e voltou ao ficante original. Ao perguntar o motivo disso, ela disse para mim “Ah, um só na noite não dá né!”.
Thurman estava orgulhosa da soma de três rapazes na noite. Rindo, comentou que foi fácil para a boate e que não estava nem aí para quem iria pegar, contanto que fosse um garoto interessante e bonito. Ela sabia que foram três, pois se lembrava de três pessoas, mas uma delas nem lembrava como era o rosto, depois de alguns copos de vodka.
Eu me pergunto então, qual a diversão?
Entendo que para muita gente não importa a qualidade, e sim a quantidade. Mas no meu caso, não consigo ser assim. Prefiro estar com alguém que torne tudo prazeroso, com intimidade. Claro, se a coisa não ta bem, passa pra frente, amiga, mas seguir com os números meramente para falar pros outros é bem ridículo.
Eu conheci um sujeito que, certa vez, me contou sobre uma ex-namorada que estudava teatro e cujo grupo fazia orgia de vez em quando. Era um grupo unido, em que rolava muita confiança e intimidade. A questão dos múltiplos parceiros, nesse caso, é libertina. No caso dessas minhas colegas, é unicamente promiscua, superficial, sem nenhuma razão além da vaidade.
Vida livre, mas com noção. Não manchem a reputação da nossa bela libertinagem. Beijos.
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