Lembrei-me de uma reportagem que li há alguns meses no suplemento “Revista JT”, do Jornal da Tarde, e resolvi dedicar o meu post de hoje a isso. A reportagem falava sobre um tipo de relacionamento que vem ganhando mais adeptos, apesar de ainda ser um assunto um pouco polêmico: o poliamor.
Imagine a seguinte situação: João e Maria têm um relacionamento estável há muito tempo. Eles se amam e vivem muito felizes juntos. Só que ao mesmo tempo, Maria tem um relacionamento com Pedro, homem a quem também ama. Pedro está ciente do outro relacionamento de Maria, assim como João sabe de Pedro. Um triângulo amoroso com base na honestidade e confiança, partindo da premissa de que é possível amar e manter um relacionamento com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
Essa situação é um exemplo de um movimento que existe há mais de 20 anos e que recusa a monogamia como necessidade, mas sim como escolha. Fica a critério de cada um, contanto haja consentimento de todas as partes envolvidas no relacionamento. Um tipo de relacionamento onde prezam, acima de tudo, a liberdade individual, a sinceridade e o instinto natural do ser humano de se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo. Muito errado e anti-ortodoxo? Mas quem somos nós para julgar algo tão imprevisível como os sentimentos? Se todas as pessoas envolvidas na relação estão de acordo e cientes da possibilidade de amar outra pessoa ao mesmo tempo, então a meu ver não há mal nenhum em manter uma relação dessas. Que sejam livres para amarem e serem amados da forma que lhe convierem. Conheci ano passado um casal que possui esse tipo de relacionamento aberto, e em nenhum momento me pareceu que se amavam menos por causa disso, pelo contrário, estavam muito felizes juntos. Para quem se identificou com esse tipo de relacionamento, deixo-os com as palavras de Raul Seixas em “Medo da Chuva”:
“Eu não posso entender tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou
Porque quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo
Hoje eu sei!
Que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez
Uma vez…”



